segunda-feira, outubro 27

Momentos



“Um dia desses, e quando estava voltando pra casa uma chuva daquelas me pegou, logo no dia que eu tinha resolvido andar alguns quarteirões, minha bolsa cheia de documentos e papeis importantes, o desespero me assolou iria perder muita coisa, comecei a sentir raiva e praguejar. Uma única vez que tento tirar uns minutos só para mim, só observar a rua, o dia estava lindo ensolarado e de repente nuvens escuras apareceram para acabar com meu “lazer”, então as rua ficaram vazias olhei para um lado e para ou outro, não havia ninguém, procurei um abrigo mas parecia que aquela  nuvem tinha me escolhido, risos, não tinha sequer um arvore sem folhas, fiquei preocupada com os documentos em minha bolsa mas não tinha remédio, ficar parada ali não me manteria seca, então resolvi andar mais rápido quase correndo e nesse meio tempo comecei reparar as pequenas “cachoeiras” que se formavam no meio fio, isso desenterrou lá do fundo lembranças de quando eu era criança, Lembrei que eu adorava dias assim, me sentia tão livre e a cada pingo de chuva que caia no meu rosto trazia uma lembrança diferente, como um dia em que eu esta resfriada e não podia sair fez um temporal tão grande e todos meus coleguinhas estavam na rua, eu não resisti sai pé por pé e me deliciei a tarde toda, lembrei-me de como ficava desapontada quando corria pra rua e a chuva cessava.

 Completamente perdida em minhas lembranças deixei de lado as preocupações todos os problemas, revivi todos aqueles bons momentos, me senti criança outra vez, me senti bem, me senti em paz, esqueci de todas as vezes que chorei, que briguei, que me magoaram. Fui tão absorvida nessas minhas lembranças que quando vi estava no portão de casa, a chuva já cessava se tornando garoa, estava completamente ensopada, minha bolsa mais parecia um balde cheio de água, mas eu estava feliz, porque nada nunca tinha tido um efeito tão forte em mim, nada nunca tinha sido tão real, me sequei, troquei as roupas molhadas ao som da garoa, preparei uma bebida quente e aconcheguei-me  no sofá, continuei escutando o barulho da chuva, que se tornava forte mais uma vez, fiquei ali não sei quanto tempo, sei que adormeci e sonhei com a próxima vez.”

“Gente, sei que não um poema em si, mas essa foi uma experiência minha que eu quis compartilhar, espero que não tenha sido enfadonha eu sei apenas que foi REAL”
   
Glaucia Vendramini.